domingo, 18 de novembro de 2007

4º Capítulo (comentário)


Ao longo da leitura deste capítulo, deparei-me como já tenho verificado ao longo dos capítulos anteriores, com temas bastantes actuais.
Um assunto referido por Papert e que para mim é muito importante, são os valores. Quem os deve transmitir?
Cada vez mais, as pessoas vêm-se questionando se «os valores devem ser ensinados pela escola ou pelos pais». Na minha opinião, os valores devem ser ensinados tanto pelos pais como pela escola. A família deve transmitir os valores “primários” pois, é aqui o início do processo de socialização e idealização de valores. A escola por seu lado, deverá transmitir os valores de componentes mais sociais, éticas, morais e também a partilha e o respeito pelos outros. Sendo necessário e sempre que possível a participação da família. No entanto, a falta de tempo por parte dos pais leva-nos consciente ou inconscientemente a deixar nas “mãos” da escola a educação das crianças. A transmissão de valores deixa de ser uma função dos pais para se tornar quase que numa ‘obrigação’ da escola. Daí também a inevitável dúvida se «devem existir disciplinas escolares sobre questões morais». Penso que, não deveria ser necessário haver disciplinas sobre questões morais, pois, estas deveriam fazer parte do extra curricular. As questões morais são algo que deve estar implícito na escola sem estar explicito no programa/currículo.
Outro assunto muito interessante, referido também pelo autor, consiste numa dúvida com que a maior parte de nós já nos deparamos, principalmente quem lida diariamente com crianças. Deve-se ou não corrigir o raciocínio/pensamento das crianças, quando sabemos que este está errado?
Todos nós sabemos o quanto é frustrante perder num jogo. Imaginemos então o quanto será pior para uma criança perder sempre. Devemos então, deixar que elas ganhem, se não sempre, para não acabar com o desafio que sentem, ao menos de vez em quando é importante para estimular o interesse da criança.
Este dilema surge também ao longo do desenvolvimento da criança. É importante que esta se interesse por explorar o mundo à sua volta e para isso, precisa certamente da ajuda de um adulto, que a eduque e que lhe mostre quando está errada. Como refere o autor «se não lhes dissermos que estão erradas, nunca mais conseguem fazer melhor».
Sabemos que é importante deixar as crianças pensarem por si próprias para que se desenvolvam como «seres pensantes» para que não se limitem a repetir «simplesmente o que lhes é dito». No entanto, sabemos também que como diz Papert «o pensamento das crianças não pode ser deixado à solta (…) não há nenhuma dúvida que corrigi-los em todas as ocasiões provocará uma inibição no desenvolvimento da capacidade de pensarem por si próprios».
Haverá sempre esta dúvida no modo como se deve guiar a criança na sua exploração do mundo, apesar de muitos autores apresentarem algumas soluções.

Um comentário:

x_spirit disse...

Apresentas boas questões. A sociedade moderna quase que retira tempo familiar ás crianças que são 'obrigados' a passar a maior parte do seu tempo em intituições escolares. E depois quem lhes transmite os valores? Outra boa questão é se devemos dar 'asas' ás crianças ou temos que cortá-las de vez em quando...porque realmente nenhuma criança gosta de perder um jogo mas também não lhe pudemos retirar o desafio para um melhor desenvolvimento do raciocinio/pensamento da criança.

Continua assim!